Esse ano eu vou precisar de uma agenda. Não contava que teria que me lembrar de uma série de compromissos a cumprir, contas pra pagar, coisas para resolver. Porque ser grande nos demanda ter uma memória de elefante. Antes, bastava a minha memória. Ela era o suficiente para que eu tomasse conta do meu pequeno e desimportante mundinho. Agora, vejo que algumas contas não são pagas em dia, que algumas datas são passadas em branco, pelo simples fato de que os esqueço. Logo eu que me julgava ter uma super memória. Gabava-me de lembrar de todos os aniversários, de memorizar os números dos telefones e de ter todos os compromissos cumpridos e honrados na data. Será que é o meu mundo que se expandiu ou é minha memória que se esvai?
Hoje conhecemos muito mais pessoas que antigamente? Talvez. As relações ficaram maiores diante de tantas tecnologias, como a internet, celular, e como não falar das redes sociais? É possível ter muito mais amigos e de mantê-los em contato, sempre à vista. E os compromissos, são eles em número maior do que há 20, 30 anos atrás? Sem dúvida. Hoje nos abarrotamos de tantos afazeres e queremos usufruir de tudo tão incrível que foi criado e que nos é disponibilizado. Tudo isso implica em inúmeras contas. E eu pensando mal da minha memória, hein? Não serei assim tão cruel com ela. Esse ano eu vou precisar de uma agenda.
Para pagar as minhas contas em dia, para lembrar dos aniversários dos amigos, para administrar esse louco atarefado mundinho que todos vivem, não me acharei tão excepcional assim. Essa realidade é inerente ao século XXI. Exceto por aqueles que conseguem se manter a par de tudo isso. Eu conheço pessoas assim. Não fazem questão de ter celular, de ter uma vida social. São verdadeiras aberrações, é o que todos pensam. Contudo, são mais felizes. Porque são o que querem ser e não precisam estar integradas para serem. Não se deixam invadir pela loucura, pelo consumismo, pela competitividade e muito menos pela ambição. Não defendo que o certo seja se isolar do mundo e viver de forma alienada. Mas, defendo uma vida mais saudável, sem muitos exageros, sem desespero, sem tantos afazeres. Uma coisa de cada vez. E se for pra ter uma agenda, que se tenha para lembrarmos sim das nossas obrigações, porque estaremos preocupados por demais em fazermos o que nos faz feliz, o que nos transborda de alegria, em usufruir as companhias adoráveis que nos cercam. Estaremos entretidos em viver uma boa vida. Que a minha agenda exista para me auxiliar nesse propósito.



Comecei a ler por curiosidade, mas descobri uma verdadeira lição de vida.Você precisa escrever um livro.
ResponderExcluirQue blog maravilhoso, amei todos os assuntos, inclusive, a maneira como abordou cada um.
Obrigada por me proporcionar um momento de laser superinteressante e de bom gosto.
Beijos mil..
Marjorie.
Minha querida Mamá (rs), um livro? Seria muita pretensão da minha parte, rs. Que bom que vc gostou! Espero ter tempo pra escrever bastante por aqui. Um beijão! Obrigada pelo carinho.
ResponderExcluirIzabeeeeel, impressionate como me identifiquei com esse artigo!!! Cheguei à conclusão de que, pela primeira vez na minha vida, precisarei de uma agenda. Meu tempo não é só meu...preciso dividi-lo, no mínimo, por três...aí já viu.
ResponderExcluirE a propósito, aproveito para reiterar o comentário acima, vc se expressa de forma muita clara e coerente, isso é raro...parabéns! Super beijo.
Rô, muito obrigada! Vindo de você, fico muito lisonjeada. De fato, vc precisará de uma agenda como nunca, rs. Mas tenho certeza que vc irá tirar de letra, administrará tudo muito bem. Beijos!!!
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