Subitamente, deu-me um desespero de perder dentro de mim essa minha vocação por escrever que me faz ser tão eu. Daí que vim correndo para o computador registrar algumas palavras. Esse espaço aqui não é divulgado nem tampouco lido. E tudo bem. Somos só eu e meus registros. Quando posto aqui, tenho a leve sensação que serão eternizados. Há muito, desde criança, tenho um entendimento certo e sério com as palavras escritas. Poesias, textos, livros fazem meu coração pulsar mais forte. E reconheço meu prazer em me expressar por linhas e entrelinhas. Fato é que outras atividades do ofício vão tomando o tempo e acabo deixando de lado minha essência. E agora bateu forte essa necessidade de não negar verdadeiramente quem sou. Parece difícil conciliar tantos aspectos desse universo que sou. E eu bem sei por que esse sentimento surgiu. Toda vez que revejo um amigo que ama o que faz, que se dedica cem por cento para o trabalho, sua grande paixão, vivendo intensamente a essência dele, desperta em mim essa inquietação sobre o que ando fazendo da minha vida e do porquê não estar exercendo minhas habilidades. E como não sou chegada a dramas, tento abafar esses questionamentos. E agora me pergunto se isso não é só mais um autoboicote. Posso ser muitas. Muitas coisas. Exercer inúmeros papéis. Posso conciliá-los. Posso sim dar conta do recado. Tento aqui incentivar a mim mesma. A ideia de infinitas possibilidades muito me agrada e me deixar excitada diante da diversidade da vida. É muito incrível. Vamos ver se essas vindas por aqui se tornam mais consistentes e regulares. Vamos ver. Hoje é domingo. Embora esteja nublado, segue quente. Estou em casa e apreciando essa delícia de sermos tão complexos. Viva!
PEQUENAS DOSES MINHAS
domingo, 12 de novembro de 2017
sexta-feira, 15 de julho de 2016
Tal qual uma estação do ano
Tal qual uma estação do ano assim são as curtas relações. Elas vêm por um curto período, nos proporcionam momentos únicos e distintos e se vão. Tiram-no do status quo, alteram nossa temperatura, fazendo-nos crer que não há um futuro, mas somente o presente, o que é um fato. Nenhuma estação é igual à outra. Embora se repitam ano a ano, ainda assim não são iguais. Às vezes é mais quente, outras vezes é menos frio, em determinado ano é possível se perceber mais folhas caídas no chão, e há um tempo em que se floresce como nunca. Vivemos estações. Somos corrompidos da nossa mesmice e quando estamos quase nos acostumando com o tempo, tudo muda, para provar que deveras nada é mesmo permanente ou estável. Alguns vivem muitas estações, outros poucas e há os que vivem só uma. Não há sortudos ou coitados, apenas contingências. Mas, quando se vive muitas, as estações vão ganhando novo sabor, a efemeridade não mais assusta, tudo passa a valer a pena. É como um bom vinho, quanto mais velho, melhor. Aprecia-se e saboreia-se cada estação. Cada momento é único e o que se viva tem seu valor. E quando uma nova estação chega é agraciada e quando chega ao fim se é grato. Tudo na mais perfeita ordem, sem alardes, sem sobressaltos. A ruptura não causa mais tanta dor, embora ainda se sofra. Apenas lembranças são guardadas e, por vezes, revividas, sem rancores. Compreende-se a beleza e a magia de cada momento, sem esperar que seja eterno. Não há devaneios nem falsas expectativas. Não há muito o que esbravejar com o inevitável, as estações vêm, elas acontecem! E se vão... e ainda que eu me expresse tão metaforicamente, eu só poderei falar de você quando esse inverno passar.
domingo, 3 de julho de 2016
Não precisa ser vermelho nem preto
Por muitos anos revezo as cores que pinto minhas unhas em preto e vermelho. Uma semana vermelho, outra semana preto. Eventualmente um nude para dar um ar de elegância. E das vezes que me permiti passar um clarinho, me senti angustiada, com uma sensação de que não estava sendo eu. Isso porque passar preto ou vermelho nas unhas me dava a impressão de estar sendo mais mulher, mais segura, mais forte. Como se uma cor de esmalte pudesse me definir.
Até que hoje deparei-me com um esmalte rosa por qual me apaixonei, mas não era qualquer rosa, não era piegas nem infantil. E se fosse? Qual problema teria? Uma cor de esmalte realmente me define?
Daí que me vi pensando quantas coisas achamos que tem que ser de um jeito ou de outro quando simplesmente pode ser tudo, sem que precisemos nos identificar com algo especificamente e, assim, rotular. Quem de fato somos vai muito mais além de qualquer expressão externa e contexto que estejamos inseridos. Se partir da premissa de que pouco se conhece a si próprio, porque então não ousar experimentar todas as cores? Porque me limitar? Porque não viver tudo o que há pra viver?
E também agora penso o porquê de querer transmitir ser isso ou aquilo para as pessoas... Usar um esmalte vermelho poderá de fato impor um ar de "eu sei para o que vim e não ouse me intimidar" ou "sim, sou poderosa e sexy" ou é simplesmente só uma cor que não quer dizer nada? Terceira opção! Ok... pensando bem... talvez seja isso mesmo... não quer dizer nada! E ainda que o diga, quaisquer informações nesse contexto, que ficam além, isto é, aquém da alma dizem muito pouco sobre alguém. No fim das contas, tentamos passar ou vender uma imagem com o único intuito de sobreviver/defender/atacar...
Por fim (espero que haja tempo para desfrutar dessa conclusão), vejo, o que pode parecer uma constatação inútil ou óbvia demais, é que não há a menor necessidade de ser vermelho ou preto. Nada nem nunca precisa ser de uma maneira só, embora teimamos que sim, enquanto seguimos vivendo menos ao sermos os mesmos.
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Dolce Far Niente
Dia desses, revendo Comer, Rezar e Amar, um filme que volta e meio me pego aprendendo um pouco com ele, apesar de parecer ser puro entretenimento, despretensioso, na verdade, pelo menos, para mim, sempre traz umas reflexões interessantes. Cada vez que o vejo, é uma frase que assimilo, um novo olhar sobre a vida me é apresentado. A bola da vez foi aquela expressão italiana "Dolce far niente" que significa "a doçura de não fazer nada".
E esse fim de semana foi um belo exemplo disso. Como pode ser doce o dolce far niente...estar consigo próprio apreciando a delícia de desfrutar o ócio, no mais puro relaxamente... e a depender da companhia, pode ser mais doce ainda, além de prazeroso... até suspirei agora, se vocês pudessem me ouvir.
Quando se é uma mente inquieta, que necessita estar sempre fazendo algo produtivo, útil, não fazer nada pode trazer uma grande angústia e um imenso sentimento de culpa. Mas, dessa vez, eu me entreguei à arte de não fazer nada, saboreei cada momento, não senti necessidade de correr para um livro, naquele esquema de "pelo menos estou lendo". E isso se deu tranquilamente, suavemente, felizmente. E quando aqueles pensamentos macabros insistiam em me torturar em razão do delicioso ócio, eu os deixava ir, rindo da insensatez e da leviandade de uma mente que insiste em nos trair.
Só o vivendo para entender o quanto o ócio é importante. É aquela história, temos sempre que buscar o caminho do meio, o equilíbrio, e acabo de ter a leve sensação de já ter escrito sobre isso no blog. Mas, que seja, vale novamente a reflexão. Não dá para levar uma vida só de afazeres e obrigações. Não mesmo. Não sei nem porque esse desespero todo se nem vivos sairemos. Mais do que pelo simples prazer, não fazer nada é uma forma genuína de apreciar o presente, o hoje, sem correr deliberadamente por algo que está inalcansável, lá longe, no futuro.
Ademais, não estou aqui louvando o ócio eterno, diário, caso contrário, seria outra coisa, menos o dolce far niente. A conclusão é uma só: eu quero mais e mais praticá-lo. E que sejam regados a vinhos e a amores.
sábado, 11 de junho de 2016
Meditando
Lá fui eu viver a experiência de um curso de meditação. Na busca por si e entrando em contato com todo esse universo da espiritualidade, em que se busca uma vida mais zen, mais tranquila, feliz, onde a paz reina, uma orientação é muito clara e comum a todos: medite, medite, medite!
Assim, não tem muita escapatória. Não por obrigação nem por imposição, mas com o intuito de querer estar bem comigo mesmo, afinal, nunca como antes estive tão consciente de que todas as respostas estão dentro de nós e seja lá o que "eles" fazem contra a gente, a verdade é que o que nos acontece tem tudo a ver consigo próprio do que com qualquer outra pessoa. Então não adianta ficar apontando o dedo não, o lance é se encarar, olhar para dentro, lidar com os dilemas e... meditar!
De alguns meses para cá, tenho buscado silenciar a minha mente, tirar uns dez minutinhos para ficar comigo mesmo. Só que essa brincadeira não é tão fácil nem tão simples como possa parecer. Vamos combinar que a postura, para quem passa o dia sentado no trabalho em frente a um computador e que quando chega em casa, fica estirado em uma cama, isto é, prática zero sobre manter a coluna ereta enquanto sentado, não é lá muito fácil, para não dizer absurdamente difícil.
A verdade é que por muitas vezes, para não dizer todas, sentava naquela postura, achando-me a zen, para, em questão de minutos, para não dizer segundos, deitar-me e achar que poderia continuar meditando deitada, com os olhos fechados, sem pegar no sono. Olha que pessoa ingênua, para não dizer iludida ou, no mínimo, sem noção.
E os pensamentos? Sim, somos muito divertidos, para não dizer loucos. Impressionante nossa capacidade de mudar o pensamento e ir para assuntos os mais diferentes possíveis no mesmo segundo, se bobear. Como alguém pode estar pensando no que irá almoçar amanhã e, na mesma hora, vagar para: será que ele vai me ligar? Os assuntos se comunicam e eu que não estou conseguindo ver as conexões? Será?
Enfim, o curso foi extremamente bem recomendado por uma amiga, e já que eu estou nessa busca de mim comigo mesma, me joguei. E fui feliz. O professor deu tantos insights sobre como "adestrar" a nossa mente, sobre como podemos melhorar nossa qualidade de vida observando os jogos que nossa mente faz, que valeu a pena demais cair da cama sábado e domingo para ir ao curso. Sem falar as dicas sobre como meditar que foram mega válidas. Hoje mesmo, ao meditar, durante 20 minutos, só mudei de posição umas 10 vezes, mexi o pescoço umas 40 e quase levantei para ir ao banheiro umas 5, ou seja, melhorei bastante. Além do mais, consegui me concentrar melhor, ter mais atenção no momento, observar o agora, praticando a meditação da atenção plena.
E assim sigo eu, fazendo de um tudo para ter uma vida leve e tranquila nesse mundinho um pouco confuso, para não dizer perturbado pra cacete. Só meditando mesmo para dar conta do recado! Não é brincadeira não, minha gente!
E assim sigo eu, fazendo de um tudo para ter uma vida leve e tranquila nesse mundinho um pouco confuso, para não dizer perturbado pra cacete. Só meditando mesmo para dar conta do recado! Não é brincadeira não, minha gente!
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