sexta-feira, 15 de julho de 2016

Tal qual uma estação do ano

Tal qual uma estação do ano assim são as curtas relações. Elas vêm por um curto período, nos proporcionam momentos únicos e distintos e se vão. Tiram-no do status quo, alteram nossa temperatura, fazendo-nos crer que não há um futuro, mas somente o presente, o que é um fato. Nenhuma estação é igual à outra. Embora se repitam ano a ano, ainda assim não são iguais. Às vezes é mais quente, outras vezes é menos frio, em determinado ano é possível se perceber mais folhas caídas no chão, e há um tempo em que se floresce como nunca. Vivemos estações. Somos corrompidos da nossa mesmice e quando estamos quase nos acostumando com o tempo, tudo muda, para provar que deveras nada é mesmo permanente ou estável. Alguns vivem muitas estações, outros poucas e há os que vivem só uma. Não há sortudos ou coitados, apenas contingências. Mas, quando se vive muitas, as estações vão ganhando novo sabor, a efemeridade não mais assusta, tudo passa a valer a pena. É como um bom vinho, quanto mais velho, melhor. Aprecia-se e saboreia-se cada estação. Cada momento é único e o que se viva tem seu valor. E quando uma nova estação chega é agraciada e quando chega ao fim se é grato. Tudo na mais perfeita ordem, sem alardes, sem sobressaltos. A ruptura não causa mais tanta dor, embora ainda se sofra. Apenas lembranças são guardadas e, por vezes, revividas, sem rancores. Compreende-se a beleza e a magia de cada momento, sem esperar que seja eterno. Não há devaneios nem falsas expectativas. Não há muito o que esbravejar com o inevitável, as estações vêm, elas acontecem! E se vão... e ainda que eu me expresse tão metaforicamente, eu só poderei falar de você quando esse inverno passar.

domingo, 3 de julho de 2016

Não precisa ser vermelho nem preto

Por muitos anos revezo as cores que pinto minhas unhas em preto e vermelho. Uma semana vermelho, outra semana preto. Eventualmente um nude para dar um ar de elegância. E das vezes que me permiti passar um clarinho, me senti angustiada, com uma sensação de que não estava sendo eu. Isso porque passar preto ou vermelho nas unhas me dava a impressão de estar sendo mais mulher, mais segura, mais forte. Como se uma cor de esmalte pudesse me definir.

Até que hoje deparei-me com um esmalte rosa por qual me apaixonei, mas não era qualquer rosa, não era piegas nem infantil. E se fosse? Qual problema teria? Uma cor de esmalte realmente me define?

Daí que me vi pensando quantas coisas achamos que tem que ser de um jeito ou de outro quando simplesmente pode ser tudo, sem que precisemos nos identificar com algo especificamente e, assim, rotular. Quem de fato somos vai muito mais além de qualquer expressão externa e contexto que estejamos inseridos. Se partir da premissa de que pouco se conhece a si próprio, porque então não ousar experimentar todas as cores? Porque me limitar? Porque não viver tudo o que há pra viver?

E também agora penso o porquê de querer transmitir ser isso ou aquilo para as pessoas... Usar um esmalte vermelho poderá de fato impor um ar de "eu sei para o que vim e não ouse me intimidar" ou "sim, sou poderosa e sexy" ou é simplesmente só uma cor que não quer dizer nada? Terceira opção! Ok... pensando bem... talvez seja isso mesmo... não quer dizer nada! E ainda que o diga, quaisquer informações nesse contexto, que ficam além, isto é, aquém da alma dizem muito pouco sobre alguém. No fim das contas, tentamos passar ou vender uma imagem com o único intuito de sobreviver/defender/atacar... 

Por fim (espero que haja tempo para desfrutar dessa conclusão), vejo, o que pode parecer uma constatação inútil ou óbvia demais, é que não há a menor necessidade de ser vermelho ou preto. Nada nem nunca precisa ser de uma maneira só, embora teimamos que sim, enquanto seguimos vivendo menos ao sermos os mesmos.