É tanto perigo o tempo todo. É dengue, é H1N1, é bactéria. É sair de casa e sofrer um acidente. É uma infecção urinária ou de garganta. É o cachorro do vizinho que te morde. É o tropeção que você dá e bate a cabeça.
A gente até sobrevive, mas às vezes aos trancos e barrancos. O perigo se reveste de tantas maneiras e formas. Cada cilada. É a palavra que te fere. É a mágoa que ressente. É o sonho que foi esquecido. É o olhar que reprova. É o amor que não foi correspondido.
E as relações que amenizam as dores, muitas vezes nos castigam. É a perda do filho. É o amigo que não nos liga mais. É o calor da paixão que se esvai.
É vida demais para corações tão pequenos como os nossos. É muito perigo para pouca fé. É muito sofrimento para tanta falta de sabedoria. Somos tão imperfeitos. E ainda insistimos tanto na vida, embora há quem desista. Seguimos corajosos por ingenuidade.
Pagamos um preço muito alto para ver o sol brilhar e a onda do mar bater sobre as pedras, para se ter noites de lua estreladas em que beijos ardentes nos consome, para se ter abraços que nos confortam em que é possível tornar-se um só, para compartilhar olhares apaixonados - quanto sentimento existe dentro de nós!
A vida cobra muito caro para se ver o sorriso sincero de uma criança, para se ter nos braços um filho, para amar e ser amado por um cachorro (das coisas mais belas e doces da vida). E por falar em doce, é muito perigo que vivemos para poder se lambuzar de sorvete, para se emocionar com um bom filme e apreciar uma poesia.
Que os sorrisos, amores, paixões, alegrias, artes, desejos e devaneios sejam muitos para que os perigos se tornem irrisórios e pequenos diante da imensidão de luz e afeto que compõem essa perigosa, louca e amada vida.