segunda-feira, 20 de junho de 2016

Dolce Far Niente

Dia desses, revendo Comer, Rezar e Amar, um filme que volta e meio me pego aprendendo um pouco com ele, apesar de parecer ser puro entretenimento, despretensioso, na verdade, pelo menos, para mim,  sempre traz umas reflexões interessantes. Cada vez que o vejo, é uma frase que assimilo, um novo olhar sobre a vida me é apresentado. A bola da vez foi aquela expressão italiana "Dolce far niente" que significa "a doçura de não fazer nada".

E esse fim de semana foi um belo exemplo disso. Como pode ser doce o dolce far niente...estar consigo próprio apreciando a delícia de desfrutar o ócio, no mais puro relaxamente... e a depender da companhia, pode ser mais doce ainda, além de prazeroso... até suspirei agora, se vocês pudessem me ouvir.

Quando se é uma mente inquieta, que necessita estar sempre fazendo algo produtivo, útil, não fazer nada pode trazer uma grande angústia e um imenso sentimento de culpa. Mas, dessa vez, eu me entreguei à arte de não fazer nada, saboreei cada momento, não senti necessidade de correr para um livro, naquele esquema de "pelo menos estou lendo". E isso se deu tranquilamente, suavemente, felizmente. E quando aqueles pensamentos macabros insistiam em me torturar em razão do delicioso ócio, eu os deixava ir, rindo da insensatez e da leviandade de uma mente que insiste em nos trair.

Só o vivendo para entender o quanto o ócio é importante. É aquela história, temos sempre que buscar o caminho do meio, o equilíbrio, e acabo de ter a leve sensação de já ter escrito sobre isso no blog. Mas, que seja, vale novamente a reflexão. Não dá para levar uma vida só de afazeres e obrigações. Não mesmo. Não sei nem porque esse desespero todo se nem vivos sairemos. Mais do que pelo simples prazer, não fazer nada é uma forma genuína de apreciar o presente, o hoje, sem correr deliberadamente por algo que está inalcansável, lá longe, no futuro.

Ademais, não estou aqui louvando o ócio eterno, diário, caso contrário, seria outra coisa, menos o dolce far niente. A conclusão é uma só: eu quero mais e mais praticá-lo. E que sejam regados a vinhos e a amores.



sábado, 11 de junho de 2016

Meditando

Lá fui eu viver a experiência de um curso de meditação. Na busca por si e entrando em contato com todo esse universo da espiritualidade, em que se busca uma vida mais zen, mais tranquila, feliz, onde a paz reina, uma orientação é muito clara e comum a todos: medite, medite, medite!

Assim, não tem muita escapatória. Não por obrigação nem por imposição, mas com o intuito de querer estar bem comigo mesmo, afinal, nunca como antes estive tão consciente de que todas as respostas estão dentro de nós e seja lá o que "eles" fazem contra a gente, a verdade é que o que nos acontece tem tudo a ver consigo próprio do que com qualquer outra pessoa. Então não adianta ficar apontando o dedo não, o lance é se encarar, olhar para dentro, lidar com os dilemas e... meditar!

De alguns meses para cá, tenho buscado silenciar a minha mente, tirar uns dez minutinhos para ficar comigo mesmo. Só que essa brincadeira não é tão fácil nem tão simples como possa parecer. Vamos combinar que a postura, para quem passa o dia sentado no trabalho em frente a um computador e que quando chega em casa, fica estirado em uma cama, isto é, prática zero sobre manter a coluna ereta enquanto sentado, não é lá muito fácil, para não dizer absurdamente difícil

A verdade é que por muitas vezes, para não dizer todas, sentava naquela postura, achando-me a zen, para, em questão de minutos, para não dizer segundos, deitar-me e achar que poderia continuar meditando deitada, com os olhos fechados, sem pegar no sono. Olha que pessoa ingênua, para não dizer iludida ou, no mínimo, sem noção.

E os pensamentos? Sim, somos muito divertidos, para não dizer loucos. Impressionante nossa capacidade de mudar o pensamento e ir para assuntos os mais diferentes possíveis no mesmo segundo, se bobear. Como alguém pode estar pensando no que irá almoçar amanhã e, na mesma hora, vagar para: será que ele vai me ligar? Os assuntos se comunicam e eu que não estou conseguindo ver as conexões? Será? 

Enfim, o curso foi extremamente bem recomendado por uma amiga, e já que eu estou nessa busca de mim comigo mesma, me joguei. E fui feliz. O professor deu tantos insights sobre como "adestrar" a nossa mente, sobre como podemos melhorar nossa qualidade de vida observando os jogos que nossa mente faz, que valeu a pena demais cair da cama sábado e domingo para ir ao curso. Sem falar as dicas sobre como meditar que foram mega válidas. Hoje mesmo, ao meditar, durante 20 minutos, só mudei de posição umas 10 vezes, mexi o pescoço umas 40 e quase levantei para ir ao banheiro umas 5, ou seja, melhorei bastante. Além do mais, consegui me concentrar melhor, ter mais atenção no momento, observar o agora, praticando a meditação da atenção plena.

E assim sigo eu, fazendo de um tudo para ter uma vida leve e tranquila nesse mundinho um pouco confuso, para não dizer perturbado pra cacete. Só meditando mesmo para dar conta do recado! Não é brincadeira não, minha gente!

 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Simples Assim

Há aquelas pessoas que não gostam de muita coisa. Não gostam de bebidas nem de carros luxuosos. Não frequentam hotéis extravagantes nem restaurantes onde tem o Chef mais badalado do momento. Não usam roupas de marcas. Não ostentam nenhum luxo por menor que seja. São integralmente simples, no mais absoluto significado que essa palavra possa ter. São raras, mas olha que eu até conheço algumas. Coisa engraçada de se ser. Simples. É. Nos dias de hoje, se é. São tão simples e tão lindas. 

Esse blá, blá, blá todo iniciou-se porque tenho um presente para comprar para uma dessas pessoas simples, missão difícil. Mas, meio sem querer, acabei adentrando na temática simplicidade, que não é tão simples como possa parecer. Ser simples talvez seja mais complexo que essa nossa mania de querer tudo, de achar que só é feliz se tiver isso ou quando conquistar aquilo, numa desenfreada busca sem fim de coisas que jamais nos farão verdadeiramente felizes. 

O ato de ser simples requer muita coragem. Requer dizer não o tempo todo para tanta coisa que querem te enfiar goela a dentro. Significa não se contaminar nem se submeter a um turbilhão de coisas que se passam do lado de fora. É viver com o que a terra oferta e isso ser o suficiente. 

Não há necessidade de aparentar ser o sabe-tudo, ou o que já viajou o mundo inteiro, ou o que morou em Paris ou Nova York. Não precisa ser o que frequenta o "restô" do momento ou o que usa peças do estilista queridinho da estação. Não há menor necessidade de pertencimento. Esse mísero sentimento que nós, os não simples, temos. 

Ser simples é vagar por ideias, sentimentos, mas também sem complicar muito. Não há rompantes de paixão. A simplicidade também simplifica o amor. Enquanto nós, os não simples, fazemos tanto drama. É. Ser simples não é nada fácil. É por demais complexo. 

Ainda continuo sem saber o que presentear. Talvez uma flor, um livro, quando sei que o meu sorriso seria o suficiente. Conceito difícil de aceitar, mas é simples assim.