domingo, 11 de março de 2012

JT - Um conto de fadas punk

Nesse fim de semana, fui conferir a peça JT - Um conto de fadas punk, que está sendo encenada no CCBB. Muito bem dirigida por Paulo José, conta com excelentes atores (Débora Duboc, Natáliga Lage, entre outros). A história é baseada em fatos reais e é muito surpreendente. Ainda não tinha ouvido falar de JT Leroy. Ele fez muito sucesso com seu suposto livro autobiográfico, que foi consagrado mundialmente. Inclusive, ele participou de uma FLIP (hahaha! vocês irão entender o porquê do hahaha!). Foi admirado por Bono Vox, Madonna e outras celebridades.






Acontece que JT Leroy nunca existiu (essa é a razão do hahaha!). Ele foi criação da escritora não muito bem-sucedida Laura Albert, que tinha uma banda punk. Como ela disse que era um livro autobiográfico, era necessário que JT existisse. Ela pediu, portanto, que sua cunhada se fizesse passar por JT. Surge, então, a grande farsa. Mas, como mentira tem perna curta, logo elas são desmascaradas.

O livro "autobriográfico" fez muito sucesso, devido a sua história sofrida e chocante. Como bem lembrou Paulo José: "Ficção hoje parece coisa menor. Os leitores consomem muito mais biografias, histórias reais, escândalos, grandes acidentes, perversidades, incêndios, violência, sangue de verdade". Concordo! Eu mesma adoro uma biografia, mas não pela necessidade de consumir histórias perversas ou loucas, ao contrário, penso que para alguém escrever um livro contando sua história, é porque tem muita coisa interessante para ser dita. Penso que é uma oportunidade para refletir e aprender sobre a vida, baseando-se na vivência de uma outra pessoa, principalmente, quando são histórias de superação.







Qual a proposta do CCBB? "Ao realizar esse projeto, o Centro Cultural Banco do Brasil propõe ao público uma reflexão sobre um tema relevante e contemporâneo, onde celebridades aparecem instantaneamente por meio das novas mídias, que transformaram o acesso à informação. E não é? Com a internet, as informações a todo vapor, ficou bem fácil de se ter os 15 minutos de fama.

A peça é da jornalista Luciana Pessanha, que entrevistou JT Leroy na Flip, em Parati. Após a notícia de que JT Leroy nunca havia existido, ela realizou uma vasta pesquisa sobre a polêmica, que deu ensejo à peça. Luciana fez um registro interessante sobre a arte de se expressar: "Essa peça nasce do desejo de liberdade para Laura Albert e para os escritores contemporâneos. Liberdade da obrigação de estar confinado a uma identidade rígida, liberdade para criar biografias falsas, ou contar histórias verídicas, como se fossem ficção. Liberdade para nos esondermos atrás de personagens, e falarmos livremente, de uma solidão para a outra, em silêncio, como a literatura sempre fez". Isso daí é um assunto um tanto quanto complexo, não?

Esse foi o último fim de semana de apresentação em Brasília, a peça estará no CCBB  do Rio de Janeiro de 16 de março a 27 de maio.



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