Ele simplesmente se foi. Nem se despediu. Silenciosamente.
Por muito tempo escutei dizer que gatos pretos davam azar. Até o dia que conheci e aprendi a amar o meu gatão dos olhos verdes. Quando nos mudamos para nossa casa, ele já fazia parte do pacote. Até nome já tinha. O ex-dono foi-se embora e o deixou sem nenhuma cerimônia. Sim, eu também fiquei perplexa. Como deixar para trás seres indefesos e dependentes que só lhe dão amor? Ainda bem, pois gratas surpresas de afeto nos foram dadas. Ele no cantinho dele, com seus olhos verdes que gritavam de tanta beleza, foi nos conquistando pouco a pouco. Mesmo com a chegada dos três meninos, nossos atentados e muito amados vira-latas, não houve tempo ruim. Adaptaram-se todos muito bem. Muito bem assim... uma rusguinha aqui, outra acolá. Vamos abrir o jogo. Tivemos que brigar e muito com o Bidu para deixar nosso gatão em paz.
Hoje penso que o que dá azar é reclamar da vida e desejar o mal para os outros. Meu gatão só nos trouxe alegrias e um pouquinho de trabalho, quando em suas aventuras noturnas, voltava todo estropiado e corríamos desesperados até o veterinário mais próximo. Gatinho danado! Aposto que era um belo de um conquistador com aqueles lindos olhos verdes de matar qualquer um de inveja.
Gatos não são como cachorros e não se iluda achando que eles possam lhe devotar o mesmo afeto. Não mesmo. Gatos não são carentes, não te paparicam e, sim, não te dão muita bola. Mas, haverá dias que ele chegará, como quem não quer nada, e irá te adular ou começara a te seguir pelo jardim - durantes aqueles momentos que você para a vida para a apreciar o céu, a lua, o verde - e virá em sua direção e ficará ali do teu lado. Tudo muito espontâneo. Gatos e cachorros não são iguais. E é bom que seja assim. Não há melhor nem pior. São apenas diferentes. Cada um com suas idiossincrasias. E mesmo tendo naturezas diversas, eventualmente presenciávamos trocas de afeto do nosso gatão com um dos meninos. Meg e ele se amavam. Tenho impressão que ela deve chorar, longe da gente, a ausência que ele lhe faz. Respeito e harmonia podem e devem sempre prevalecer, principalmente quando não falamos a mesma língua.
O espírito dele era livre, solto ele ficava, solto ele se foi. Sinto paz ao lembrar dele. Foram sete anos de convívio e amizade. Seus olhos verdes ficarão para sempre em minha memória.
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