quinta-feira, 14 de abril de 2016

A GENTE MUDA

Uma vez, em um desses meus encontros amorosos, saí com um cara uns doze anos mais velho que eu. Por sinal, uma dessas pessoas que você tem a felicidade de conhecer e o privilégio de ter horas de uma boa conversa, acompanhadas de um bom vinho. Uma pessoa rara pela sua história de superação, por tudo que conquistou e por quem é. Um exemplo a ser seguido e que certamente até hoje me inspira. Se um dia ele ler esse texto, ele saberá que é ele. Você que me denominou "menina mulher". Eu também tenho minhas vaidades e que fiquem registradas. 

Nesse encontro, lembro-me como se fosse hoje, utilizando-se dessa expressão bem clichê, dele ter dito que os meus interesses aos 40 não seriam os mesmos de agora, aos 30. Achei tão estranho, não fez muito sentido para mim. Pensei para mim mesma sem querer contestá-lo: como não? Posso até mudar, mas como vou deixar de gostar, de me interessar por esse universo que faz tanto sentido para mim? Pensei assim... como se determinados interesses fossem eternos...

Não foi necessário chegar aos 40 para dar razão a ele. Passados poucos anos, é impressionante perceber e sentir que a gente muda. Do dia para a noite. Num piscar de olhos. Você nem se reconhece mais. Eu era aquela pessoa que pensava assim? Engraçado quando nos colocamos no papel de observador e analisamos o nosso próprio pensamento de tempos atrás. 

Vejo por esse blog. O mundo gastronômico para mim era um interesse e tanto. Não que ainda não seja. Amo comer bem, conhecer novos sabores, ir para a cozinha brincar de Chef (metida à besta). Tinha um verdadeiro fetiche em desbravar restaurantes, ter isso como um programa semanal na minha vida. Passou. Até desejava ser crítica gastronômica assim como Julia Roberts no filme O Casamento do Meu Melhor Amigo. Hoje me parece enfadonho.

Não terei o descaramento de dizer que a gente muda para melhor ou que eu me mudei para melhor porque seria muita pretensão da minha parte. Eu que ando querendo abrir mão das minhas pretensões, inclusive, a de ser vaidosa.

E ainda sobre minhas vaidades (as vaidades morais, essas são as piores), até me orgulho de ver que mudo, que não insisto em ser a mesma pessoa, pensando as mesmas coisas, desejando igual e procurando pelo mesmo. Hoje nem vejo muito sentido em ficar procurando. Antes que você me pergunte, eu lhe digo: procurando e buscando pelo nem sei o quê ao certo. Até acho que eu sei, mas eu prefiro dizer que não sei. Eu que antes fazia questão de ter uma resposta para tudo.

É, a gente muda.

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