quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Flores Raras

É simplesmente maravilhosa a sensação que se tem ao sair do cinema depois de assistir um grande filme. Ainda mais quando esse filme é poético, sensível e nos conta uma história de amor baseada em fatos reais.




O filme conta o romance entre Elizabeth Bishop, norte-americana, considerada uma das maiores poetas da língua inglesa, e de Lota de Macedo Soares, arquiteta brasileira e uma das idealizadoras do Parque do Flamengo (considerada grande arquiteta e paisagista apesar de nunca ter cursado universidade). 

Elizabeth era uma mulher frágil, tímida, introspectiva e não muito bem resolvida com o seu trabalho. Angustiada com a vida que estava levando, resolve, então, fazer uma viagem pelo mundo e a sua primeira parada foi no Rio de Janeiro, onde iria passar apenas alguns dias. Ficou hospedada na casa de Lota, amante de uma grande amiga de Elizabeth. Então que as duas - Elizabeth e Lota - se apaixonam e o que era pra ser apenas alguns dias tornaram-se 17 anos. Lota, por sua vez, é uma mulher forte, autoritária, que não se submetia às convenções sociais.

O filme narra a história de amor dessas duas grandes mulheres paralelamente ao trabalho que as duas realizaram. Grande parte das poesias de Elizabeth foram feitas em Petrópolis, onde morava com Lota. O filme conta ainda as adversidades vividas pela poeta quando criança e a repercussão que isso teve em seu trabalho.

Dirigido por Bruno Barreto, o filme narra ainda o período político vivido pelo Brasil na década de 60, o golpe militar e as impressões de uma norte-americana sobre o comportamento passivo dos brasileiros, o que é muito interessante.

Com Glória Pires e Miranda Otto, o filme é belíssimo e o que achei mais interessante é que não há nenhum engajamento com a homossexualidade. O filme conta a história de amor entre duas mulheres de forma muito natural, tranquila, sem querer levantar qualquer bandeira. Ponto forte do filme é a interpretação incrível dessas duas atrizes e não duvido nada que role indicação pro Oscar como melhor atriz. Merece!!!

Segue um lindo poema de Elizabeth, que faz parte do contexto do filme:


A arte de perder


“A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. “

Filme excelente!!! Uma grande produção nacional.

2 comentários:

  1. puxaa Nem vi! Fiquei com vontade depois desse seu post Vou atras beijos

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    1. Maíra, parece-me que ainda está sendo exibido no Liberty Mall. É um filme excelente!

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