O fim de ano chegou, hoje é Natal, e é inevitável aquelas reflexões de todo santo ano... elaborar listinha de metas para 2013... não há momento mais propício para renovar as esperanças e a fé... a fé em Deus e a fé em si... acreditar que tudo será melhor!!!
Não sei se essa sensação acontece com muitos, ou se é particularmente minha, mas, com o passar dos anos, já não me preocupo tanto em fazer uma listinha com um milhão de coisas que quero fazer ou me proponho a realizar. Até porque tenho a leve sensação que o quero da vida, hoje, apesar dos meus eternos dilemas, estão muitos claros na minha cabecinha. Eles são certos, bem definidos (nem tanto, rs), portanto não há a menor necessidade de pegar caneta e papel para listá-los. É como se a minha mente fosse uma folha de papel e eles já estivessem muito bem escritos e delimitados.
Por sinal, eles - meus objetivos e desejos - são bem menores em relação aos que tinha há uns dez anos. Também os considero bem mais simples e reais. Talvez a razão disso seja a maturidade. Esta, por sua vez, um presente do tempo, resultado das lições tiradas das adversidades, irmã da sabedoria. Acho também que posso creditar essa minha suposta real e coesa lista aos livros que tanto me ajudam a aprimorar meu caráter e minha visão de mundo, a buscar a felicidade pelos caminhos certos, a não se iludir com as loucuras desse mundo, a dar uma pausa para refletir sobre o que é importante e ao que, de fato, vale a pena.
Uma das leituras que fiz nesse ano, Não Nascemos Prontos! Provocações filosóficas, de Mario Sergio Cortella, é um desses livros, que me ajudam em minha busca pelo autoconhecimento e por ter uma vida mais simples, mas, nem por isso, estagnada ou conformada. Ao contrário, as ideias que tenho deparado nesse ou em outros livros que tenho lido me fazem querer buscar os meus objetivos. A diferença é que estes são respaldados pelas sensatez, simplicidade e sabedoria.
O objetivo do livro em questão é nos provocar, incomodar, não deixar que estagnemos com a satisfação. É como diz o autor: "Quando estamos satisfeitos nos acomodamos, nos rendemos à sedução do repouso e nos imobilizamos. É a insatisfação que nos move. Quando estamos insatisfeitos, criamos, inovamos, refazemos, modificamos e, assim, vamos nos construindo".
Transcrevo alguns trechos a fim de compartilhar as ideias interessantes que captei nesse livro:
"Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio".
"Aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar".
"Não; não temos mais tempo! Cada dia levantamos mais cedo e vamos dormir mais tarde, sempre com a sensação de que o dia deveria ser mais extenso ou não soubemos nos organizar direito".
"Não se deve confundir informação com conhecimento. A internet, dentre as mídias contemporâneas, é a mais fantástica e estupenda ferramento para acesso à informação; no entanto, transformar informação em conehcimento exige, antes de tudo, critérios de escolha e seleção, dado que o conhecimento (ao contrário da informação) não é cumulativo, mas seletivo".
"Sem critérios seletivos, muitos ficam sufocados por uma ânsia precária de ler tudo, acessar tudo, ouvir tudo, assistir tudo. É por isso que a maior parte dessas pessoas, em vez de navegar na internet, naufraga..."
"Vive-se, além de tudo, uma sociedade consumista, na qual a mínima possibilidade de sentido fugaz encontra-se na posse, mesmo que circunstancial, de objetos que são anuciados como sendo os portadores do segredo da felicidade. Crianças bem pequenas perderam a capacidade de brincar sozinhas, com um maravilhoso universo imaginativo e abstrato, no qual nada material precisava adentrar; agora, elas têm "necessidades" inseridas nelas pela nossa inteligência adulta e veiculadas por uma mídia que nem sempre se preocupa com o papel formador que desempenha".
"Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória humana".
"Ora, já somos uma das poderosas economias capitalistas do planeta, sem que a riqueza coletivamente gerada seja adequadamente repartida! Uma nação vai para a frente quando prevalece a justiça cidadã e a paz social, quando há garantia do direito ao trabalho (e, portanto, ao descanso), quando os privilégios exclusivos não são apresentados como conquistas inevitáveis de alguns apaniguados. Uma nação perde tempo quando valoriza o cinismo que acomete fartamente alguns que se preocupam com quantos dias de folga tiram aqueles milhões para os quais muito pouco de vida sã fora de horário de trabalho".
"É necessário interromper a lógica que entende o trabalho contínuo e incansável como sendo a única fonte de saudabilidade moral e cívica; é preciso enterrar a estranha racionalidade que entende a capacidade de voltar a trabalhar como sendo o melhor critério de saúde. É comum um adulto internado em um hospital ou adoentado em casa considerar-se sarado apenas quando, após perguntar ao médico se pode voltar ao trabalho, fica por ele "liberado"; por que não perguntar: "Doutor, já estou bom? Já posso voltar a namorar, bailar, transar, jogar?"
"Talvez um pensar mais nos levaria a gritar que basta de tantos imperativos! Compre! Olhe! Veja! Faça! Leia! Sinta! E a vontade própria e o desejo sem contornos? E (ainda lembras?) a liberdade de decidir, escolher, optar, aderir?"
"Essa demora em pensar mais, esse retardamento da reflexão como uma atitude continuada e deliberada, vem produzindo um fenômeno quase coletivo: mais e mais pessoas querendo desistir, largar tudo, com vontade imensa de sumir, na ânsia de mudar de vida, transformar-se, livrando-se das pequenas situações que torturam, amarguram, esvaem".
"Precisar ter! Precisas comprar! Precisas experimentar! Precisas possuir! Precisas de tudo, a qualquer custo, de qualquer modo! Ora, promessas vãs, momentâneas alegrias, sentidos descartáveis; é o reino das aparências, o primado da reclusão em uma insaciável procura por uma resposta que está além do consumismo tresloucado. Doce mel, terrível veneno..."
"Há três caminhos para a infelicidade (ou fracasso): 1) não ensinar o que se sabe; 2) não praticar o que se ensina; 3) não perguntar o que se ignora."
"Mas, o que é um bom livro? A subjetividade da resposta é evidente .No entanto, é possível estabelecer um critério: um bom livro é aquele que te emociona, isto é, aquele que produz em ti sentimentos vitais, que gera perturbações, que comove, abala ou impressiona. Em outras palavras, um bom livro é aquele que, de alguma maneira, te afeta e impede que passe adiante incólume".
Ideias incriveis, que, certamente, são capazes de contribuir para se ter um 2013 mais em paz consigo e mais feliz!!!
O autor do livro, Mario Sergio Cortelha, é filósofo, com mestrado e doutorado em educação pela PUC-SP, na qual é docente desde 1977.
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| Mario Sergio Cortella |


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