Tal qual uma estação do ano assim são as curtas relações. Elas vêm por um curto período, nos proporcionam momentos únicos e distintos e se vão. Tiram-no do status quo, alteram nossa temperatura, fazendo-nos crer que não há um futuro, mas somente o presente, o que é um fato. Nenhuma estação é igual à outra. Embora se repitam ano a ano, ainda assim não são iguais. Às vezes é mais quente, outras vezes é menos frio, em determinado ano é possível se perceber mais folhas caídas no chão, e há um tempo em que se floresce como nunca. Vivemos estações. Somos corrompidos da nossa mesmice e quando estamos quase nos acostumando com o tempo, tudo muda, para provar que deveras nada é mesmo permanente ou estável. Alguns vivem muitas estações, outros poucas e há os que vivem só uma. Não há sortudos ou coitados, apenas contingências. Mas, quando se vive muitas, as estações vão ganhando novo sabor, a efemeridade não mais assusta, tudo passa a valer a pena. É como um bom vinho, quanto mais velho, melhor. Aprecia-se e saboreia-se cada estação. Cada momento é único e o que se viva tem seu valor. E quando uma nova estação chega é agraciada e quando chega ao fim se é grato. Tudo na mais perfeita ordem, sem alardes, sem sobressaltos. A ruptura não causa mais tanta dor, embora ainda se sofra. Apenas lembranças são guardadas e, por vezes, revividas, sem rancores. Compreende-se a beleza e a magia de cada momento, sem esperar que seja eterno. Não há devaneios nem falsas expectativas. Não há muito o que esbravejar com o inevitável, as estações vêm, elas acontecem! E se vão... e ainda que eu me expresse tão metaforicamente, eu só poderei falar de você quando esse inverno passar.
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