Voltei para o blog ou, melhor dizendo, não terei voltado para mim??? Aqui sou eu, minha essência, meu olhar. Timidamente irei voltando. Aos poucos. Eventualmente. Só não quero estar distante daquilo que me identifico. A vida é curta, não dá pra ignorar sua efemeridade. Não dá para suspender a vida por conta de alguns objetivos, porque os dias se passam, os anos se vão e em pleno dia se morre. Sim, esta última frase pertence a Clarice Lispector. Mas poderia ser perfeitamente minha. Porque ela demonstra minha intranquilidade com tudo o que quero realizar, mas o tempo não deixa, e a minha intensidade de querer viver tudo hoje, enquanto há tempo, isto é, enquanto há vida!
E o primeiro post do meu retorno irá falar sobre uma peça incrível que assisti, no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, baseada em textos de Clarice Lispector. Uma peça divertida, profunda, para se ter uma noite agradável e voltar pra casa com disposição de se buscar, custe o que custar, rs.
Prazer é o nome desse excelente espetáculo, da premiada companhia mineira Luna Luneira e a sua trama foi baseada no seguinte texto de Clarice: "uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida". E então que a peça me caiu como uma luva. Rs.
A peça conta a história de quatro amigos que se reencontram em um país estrangeiro e compartilham entre si seus dilemas, frustrações, alegrias, aventuras... Estão, como nós, cada qual com suas particularidades, em busca da felicidade, do prazer.
Antes de a peça começar, os atores vão para o palco e começam a escrever frases de Clarice no cenário. E a partir daí já começamos a nos deleitar com o universo Clarice Lispector. Como amo!
Um quase nada me faz feliz
Eu queria seu eu mesmo por mais feio que isso fosse
Antes o sofrimento legítimo que o prazer forçado
Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas...
A peça estará em cartaz no CCBB de Brasília até o dia 30 de junho.

Nenhum comentário:
Postar um comentário