quinta-feira, 5 de maio de 2016

FRIDA KAHLO

A exposição com obras de Frida Kahlo e outras artistas mexicanas aterrisaram na Caixa Cultural em Brasília e lá fui dar aquela conferida básica, claro! Considerada integrante do movimento surrealista, Frida, na verdade, não queria pintar o inconsciente, mas a tragédia e o sofrimento, tão peculiares ao longo de sua vida. Prova disso é a sua célebre frase: "Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade".

Frida é conhecida por seus autorretratos, dizia ela que se auto pintava pois se considerava sozinha e, por fim, com quem mais tinha contato era consigo própria. Observando as obras de Frida em que ela se auto retrata, percebi um olhar de profunda tristeza. Com efeito, ela nunca negou seu sofrimento diante de tantas adversidades pelas quais passou, dentre elas uma poliemielite na infância, um acidente de carro na adolescência e três abortos.

Frida era muito autêntica. Numa época em que a moda era se comportar como as européias, ela se identificava com as suas origens indígenas e se vestia como as mexicanas de outrora, em um estilo que tendia para o artesanato, com muitas cores e personalidade.

Fico a pensar o quanto deve ser gratificante e ao mesmo tempo dolorido ser diferente, ir contra os "padrões" pré-estabelecidos. E isso não só pelo fato de se vestir. Numa época em que temas como bissexualidade era tabu, Frida manteve relações amorosas com mulheres, embora fosse casada com  Diego Rivera, um grande pintor mexicano com quem manteve uma relação muito conturbada regada a traições de ambos. É difícil saber que as pessoas te apontam porque você transcende o modelo imposto. É preciso muita autenticidade e coragem para ser você mesmo, quando isso implica em ir contra a maré.

Como precursora de uma agitação artística de mulheres mexicanas, Frida saiu na frente e exatamente por isso é tão conhecida. Eu amei a exposição, até porque, definitivamente, eu amo o surrealismo, embora Frida não estivesse exatamente engajada com esse movimento. A questão é que eu realmente tenho uma queda pelo abstrato, pelo irreal, numa perspectiva de transcender o que é real e palpável. A vida precisa de sonhos. Ainda que sejam loucos e transgressores.






Nenhum comentário:

Postar um comentário