Essa semana fui a um bar acompanhado de um amigo daqueles que é uma dádiva da vida, caprichado e embrulhado para presente por Deus. E com ele você não precisa de muita coisa para ser feliz e dar boas gargalhadas. Mesmo estando apenas nós dois, nossa noite foi pra lá de divertida, curtindo um bom jazz, rindo, afinal, ser feliz é uma opção e depende única e exclusivamente da nossa boa vontade.
Daí que ao ir ao banheiro. Ponto. Terei que parar a frase no meio para explicar que uma ida ao banheiro nesse bar não é uma ida qualquer ao banheiro. Uma ida ao banheiro tem um gostinho a mais para aqueles que se jogam na noite para paquerar, ver gente bonita e feliz e quem sabe ainda tropeçar com um possível amor, já que nesse banheiro, homens e mulheres se esbarram num vai e vem frenético, dividem o mesmo lavabo e não venham me dizer que não há nada demais nisso não, porque é mentira. Aquele curto corredor, mais apertadinho, torna os olhares mais atentos, os sorrisos mais fáceis, a proximidade mais evidente. Viva os banheiros unissex!
Daí que ao ir ao banheiro, presenciei uma daquelas cenas tão corriqueiras na noite, em que o homem se aproxima da mulher, puxa conversa, pergunta o que ela faz, ele a faz rir, ela joga o cabelo, faz um charme, coisa e tal, e todo mundo sabe muito bem como se dá esse mise en scéne. Coisa mais deliciosa de se viver, vamos combinar! Então que eu lá no box fiquei prestando atenção nessa cena, dois jovens, cheios de vida, bonitos, tanto ele como ela. E quando fui lavar minha mão, fiquei observando o interesse de ambos um pelo outro, o olhar mais aceso, o sorriso tão gostoso, o corpo exalando desejo, como se fosse um daqueles encontros marcantes. Nisso, ele perguntou o que ela estava bebendo e no que ela respondeu, ele sugeriu: vamos brindar? Ela sem titubear, respondeu: claro, vamos brindar! Realmente. Há tantos motivos para brindar. Brindar à vida, à noite, ao amor, aos encontros, aos banheiros unissex e toda as possibilidades que nos são ofertadas diariamente.
Quando voltei para minha mesa, fiquei observando o movimento desse tão recente casal, ainda que tenha sido só por aquela meia hora, eles formaram um belo e simpático casal. Ele a apresentou para os amigos dele. Ela o levou até a mesa onde ela estava com vários amigos, o apresentou e eles ficaram ali conversando, sem parar de se olharem, compenetrados, hipnotizados um pelo outro.
Quando voltei para minha mesa, fiquei observando o movimento desse tão recente casal, ainda que tenha sido só por aquela meia hora, eles formaram um belo e simpático casal. Ele a apresentou para os amigos dele. Ela o levou até a mesa onde ela estava com vários amigos, o apresentou e eles ficaram ali conversando, sem parar de se olharem, compenetrados, hipnotizados um pelo outro.
Fiquei curiosa em saber o que vai dar desse encontro. Terá sido só aquele encontro ali, sem um mais depois? Será que já se encontraram novamente e se falam várias vezes por dia? Será que irão engatar um namoro e até quem sabe dividir o teto algum dia? Farão planos juntos, dividirão sonhos e irão ao cinema todo domingo? Ou terá sido apenas um deleite de uma noite animada em que os sentidos ficam mais aguçados por conta do álcool? Será que se encontrarão algumas vezes e perceberão que não há a menor afinidade? Ou quando estiverem saindo juntos um deles sentirá que ainda ama o ex? O que será daquele encontro inusitado ou, por assim dizer, nem tanto inusitado?
De uma topada no banheiro, tantas coisas podem acontecer, inclusive o nada. Tudo pode ser. Tudo pode não ser. São inúmeras as possibilidades. E muitos os encontros. Não temos acesso aos 7 bilhões de pessoas, mas é capaz que tenhamos a alguns milhões, eu acho. E olha o quanto de vida, estórias, momentos e experiências podem se encontrar e se compartilhar. A vida é mesmo surpreendente.
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