Não se faz mais infâncias como antigamente. Aquelas infâncias em
que tudo terminava em pizza... ops, em pizza não... aquela que eu
lembro, que eu fiz parte, terminava em cachorro-quente. Podia ser pão
francês, com a salsicha mais vagabunda que tivesse e um molhinho bem
improvisado. Voilá! Isso era o suficiente e necessário para
degustar e sentir a mais pura felicidade.
Cachorro-quente me remete a
momentos alegres e descontraídos e até hoje ele é uma das iguarias
mais populares e queridas de minha preferência. Com muito molho, por
favor. Acompanhado de uma boa mostarda, a gente vai amadurecendo o
paladar.
Assustou-me dia desses saber que na creche do meu sobrinho
as festinhas da criança só tem maquete, não se pode levar nenhum
tipo de comida. Que tristeza assolou-se no meu coração. Nem
cachorro-quente, tia? Nem cachorro-quente. Bem assim.
Fiquei pensando
na infância que tive, em que tomávamos banho de chuva, andávamos
nas enxurradas, nada era muito proibido, nem mesmo falar com
estranhos. Coisa de interior, eu sei. Coisa de gente saudosa, eu sei.
Coisa de gente que não aceita que “o novo sempre vem”, eu sei.
Coisa de gente que acha que o que passou era melhor, eu sei. Eu sei,
eu sei, eu sei.
Nem me reconheço nessas palavras. Eu que sempre acho
que o melhor está por vir. Eu que sempre acho que o passado é tão
over, tão triste, tão “olha o que eles fizeram comigo”. Mas,
confesso, festinhas de criança sem cachorro-quente, que tristeza sem
fim. Proíbam tudo o que quiser, evitem glútem e lactose, cuidem da
alimentação das criancinhas. Mas, por favor, não matem o
cachorro-quente. Ele é a lembrança eterna de dias felizes, em que a
infância jamais terá fim.
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